2010-09-09

Erica platycodon

Esta urze sofreu a sua primeira estilização há cerca de duas semanas. Foi um trabalho leve, essencialmente poda, posicionamento dos ramos primários e secundários, limpeza da madeira morta e veias vivas, etc. A planta já está a responder com muitos rebentos, a maior parte deles de madeira velha.

Fica uma foto:



...e um vídeo (em fullscreen HD no youtube):



Tentei dar grande dinamismo à composição e um estilo que não é bem definido - algures entre han-kengai, shakan, fukinagashi e bunjin. Quis dar-lhe um ar selvagem, por isso há alguns ramos cruzados e algumas "regras" quebradas. Acham que funciona? A inspiração foram as urzes que crescem nas montanhas da minha ilha (muitas delas arderam recentemente, incluindo um núcleo de exemplares centenários a 1700m de altitude perto do Pico Ruivo, a terceira montanha mais alta do país). Ficam duas fotos de urzes na natureza (a primeira E. arborea, a segunda E. platycodon):





Estas árvores crescem nas escarpas e levam com derrocadas, chuvas muito intensas e outras árvores em cima durante o Inverno. Aquirem muito carácter com o passar dos anos. São a espécie mais abundante na Madeira acima dos 1300m de altitude.

Quanto a vaso... se calhar aquele que neste momento é a escolha mais provável causará polémica (julgando pelas reacções de algumas pessoas com quem já falei). Descobri um ceramista americano, Chuck Iker (http://www.ikerbonsaipots.com/), que é muito bom a criar texturas que lembram as rochas basálticas da Madeira. Julgo que estes vasos estão algures entre o estilo clássico e o vanguardismo dos vasos de Mateusz Grobelny, que tanta tinta têm feito correr. Ou não... :)

O David Carvalho fez um virtual da urze no novo vaso, à escala (obrigado David!):



Alguns detalhes:





O vaso é algo masculino e agora pode parecer grande demais para a planta (e se calhar é 2 ou 3 cm demasiado grande). Acredito, ou espero, que quando a folhagem fechar as coisas vão ficar equilibradas. Como a composição é muito dinâmica, achei que era necessário um vaso que desse estabilidade ao conjunto. A escolha por aquela cor e textura torna-se óbvia depois de ver as fotos das urzes nas montanhas que mostrei acima

5 comentários:

Luís Cunha disse...

Olá Pedro,

Só hoje conheci o teu espaço! mais um a visitar regularmente =) Parabéns pela motivação de arrancares novamente com o projecto!!

Quanto a esta Erica, vejo que vai evoluindo muito bem!
Como perguntas, sinto-me confortável para opinar, e seguindo uma abordagem que em nada implica não estar de acordo com a tua, a única alteração que fazia era eliminar o 1º ramo que sai na direita (aquele que tem o tensor), isto pois na minha prespectiva ganhavas visualmente todo aquele bocado que tens logo por baixo desse ramo e que tem aquele cruzar de veias muito bonito... E ficavas com toda a estrutura da esquerda para construires a massa verde, ganhavas a meu ver, mais dinamismo ainda, mas perdias uma imagem mais natural e talvez seja isso o que pretendes mesmo =) Fica a opinião!

Quanto ao vaso, eu gosto muito, tem uma textura fantástica =) Acho que agora ainda é um pouco pesado, mas é como dizes, as coisas vão de futuro ficar mais equilibradas!

Boa continuação!
Grande abraço

Luis Cunha

João Pires disse...
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João Pires disse...

Olá Pedro,

Então tinha um blog e não dizias nada? ;) Boa!!!
Parabéns pelo espaço! Vai já para a coluna dos destaques do meu.

Quanto à erica, aqui fica a minha humilde opinião. Os ramos postos de forma mais selvagem, mais livre, parecem-me ser até uma boa opção. Inteligente. Quando a árvore encher, vai ajudar a quebrar alguma da "monotonia" que possa resultar da folhagem fina e pequena, característica da espécie. Fica sempre aquela "massa" sem detalhe. Algum ritmo nos ramos pode ajudar a equilibrar isso... Não sei se me faço entender.

Abr.
João

Pedro G C Almeida disse...

Olá Luís e João,

Primeiro que tudo, peço-vos desculpa pelo atraso na minha resposta. Não foi possível fazer melhor.

Luís, obrigado pela tua opinião. Para já vou deixar o ramo, gosto do efeito que ele produz. Decidi inclinar a árvore um pouco mais para a direita, com a evolução não descarto a possibilidade de remover o ramo.

João, obrigado pela visita. :) Percebo a tua ideia e agradeço o teu comentário. Esta espécie é bastante diferente da Erica arborea, as folhas são muito mais espessas, robustas e maiores. No entanto, o desafio é criar espaços e dinamismo com um crescimento tão compacto, em tudo semelhante ao que acontece com os tosho.

Abraços,
Pedro

Pedro G C Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.